domingo, 21 de abril de 2013

21 de Abril de 1142... Morre Pedro Abelardo




O filósofo e teólogo nascido próximo a Bretanha em 1079, é considerado um dos maiores pensadores do século XII.
Aos 37 anos ministrou aulas para a sobrinha do cônego Fulberto, a inteligente Heloíse de 17 anos.
Tinha com Heloíse altos e apaixonantes embates filosóficos... viveram um amor profundo que durou algum tempo até que esta engravidasse. 
Casaram-se as escondidas... porém como o casamento no século XII, punha em causa a carreira acadêmica, à época reservada a celibatários, uma série de acontecimentos acabou com a castração de Abelardo.
Este impôs a amada que se tornasse freira e ele tornou-se monge beneditino.
Abelardo escreve em 1132 "Histórias de Minhas Calamidades" (Histaria Calamitatum Mearum), contando pormenores de sua vida.
Continuaram a corresponderem-se e conteúdo destas cartas revelam dois grandes intelectos apaixonados... entre a paixão e a razão...
Abelardo morre em 1142 e Heloísa em 1164. Ambos com 63 anos.  Em 1817 seus restos mortais foram trasladados para um único túmulo no cemitério de Père Lachaise, em Paris.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

tudo é real... pq tudo é inventado...


Na companhia de Guimarães Rosa.... 
e aí me lembrei desta estória que li e não sei de onde vem, não sei quem escreveu...

imagem daqui
tinha um galo que acordava bem cedo, todas as manhãs, ainda escuro, e anunciava solene aos seus companheiros, bichos de galinheiro:

"- Vou cantar pra fazer o sol nascer..."

E se empoleirava no alto do telhado, olhava para o horizonte, e ordenava categórico:

"- Co-co-ri-co-có..."

Dali a pouco a bola vermelha mostrava o seu primeiro pedaço e o galo comentava confiante:

"- Eu não disse?..."

E os bichos ficavam boquiabertos e respeitosos ante poder tão extraordinário conferido ao galo: cantar para fazer o sol nascer. E nem havia sombra de alguma dúvida, porque tinha sido sempre assim, com o galo-pai, com o galo-avô...

Aconteceu entretanto, que o galo certo dia perdeu a hora, e quando ele acordou o sol já estava lá, brilhando no meio do céu...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

bolinhas de sabão


gustavo poblete
Fazendo combinações de roupas...
E literalmente roupa como metáfora...

Remexendo as companhias dos últimos tempos...
Pausa longa pra desconstruções...
Aí que Drummond faz sentido... a vida é uma ordem!!!
Então a vida é ordem... imperativa... VIVA!!!
A vida é ordem... ordenamento... ordem na bagunça... disciplina...
Como pode a disciplina conviver com o lúdico... já que a meta é esta: o lúdico... 
Bolinhas de sabão!!!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

está chegando um tempo em que a vida é uma ordem

Os Ombros Não Suportam o Mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco. 
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.  
                                
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos. 
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Drummond

domingo, 18 de novembro de 2012

Todas as sensações do mundo!!!



Google Images
Tem algo que impede de falar sobre sentimentos, algo que talvez esteja encostado em nós e o cotidiano sai a atropelar... e o medo foi o culpado disto... retirá-lo do caminho é o maior desafio... para sentir de novo de verdade, o caminho tem que estar livre, até sem ar... o vácuo é a melhor metáfora para o momento... como quando abrimos o pacote de café e vem aquele aroma que tende a ser mais agradável que o sabor... no primeiro momento pedimos cheiros, mas sentir o gosto também é urgente, e vem como que furando a fila dos sentidos... todas as sensações do mundo...........................................................

sábado, 17 de novembro de 2012

Acima de nós...



Este era o céu de um dia da primeira quinzena de novembro... o calor deu uma pausa, como que para nos presentear... e a conversa durou horas, quase não vimos o tempo passar... o tom de entrevista deu lugar a variados sentimentos que nem mesmo eu havia notado... talvez alguma coisa mude... talvez nada (aparentemente) mude... intimamente sabe-se que tudo mudou...................

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sem estereótipos


Uma companhia não muito agradável tem feito parte de algumas andanças nestes últimos meses... o neoliberalismo... evito usar determinadas palavras com pessoas que não pertencem a este universo e aí falo em outdoors por exemplo (como no último post)... mas é para simbolizar o mundo do capital na  fôrma (de bolo mesmo) contemporânea... onde estão as grandes propagandas, cores vibrantes, luzes, sons... tudo é lindíssimo, super atraente... novela, carnaval, copa, shopping... e ‘torcer o nariz’ para este mundo é ficar caricaturada, démodé, chata, jurássica, inadequado...
Já disse que não sou uma mulher do meu tempo, mas no sentido de ser atemporal, pertenço ao passado, presente e futuro... talvez tenha sido este o motivo da opção pela História... e neste sentido tb gosto da Física... voilá...
midnight-in-paris-poster
E, nesta linha de pensamento gosto de lembrar o filme ‘Meia-Noite em Paris’... um longa de Woody Allen (um dos mais belos entre os clichês) que faz a indagação sobre estar sempre no passado nosso olhar idealizado da vida. Diante da oportunidade de irmos a outros momentos da História, percebe o personagem de Owen Wilson, o qto podemos estar supervalorizando o que já foi... (recomendo)...
Enfim descobri neste aprofundamento teórico do neoliberalismo e o sujeito contemporâneo (eu, você...) que qto mais me aproximo dele, mais ele fica pequeno e indefeso... como aquele inimigo que só percebemos a pequeneza dele qdo criamos coragem de enfrentá-lo...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

... eu quero uma pra viver!!!

musicaemevidencia.musicblog.com.br


Se eu tivesse começando a vida agora não teria dúvidas sobre meu caminho... marxismo... estudaria todos os filósofos e me identificaria com a ideia de rompimento com este mundo que está posto para nós... pq nunca gostei deste mundo burguês... não sou uma mulher do meu tempo... fico aqui pensando sobre o que me encanta no mundo contemporâneo... e não encontro...
Na adolescência já foi assim... não gostava de outdoors... minha lista hj é talvez um pouco maior, com a diferença que já assumo a maioria do que me aborrece...
Hj penso que quero romper, mas talvez falte-me a voracidade dos 20... então romper toma outro significado... e é esse significado que busco... uma ideologia...

quarta-feira, 11 de julho de 2012



ica.stanford.edu
Conheci Ondjaki no Entrelinhas, numa entrevista que ele concedeu ao jornalista Daniel Antonio. Ndalu de Almeida é Ondjaki, pseudônimo que em umbundu – língua falada pelos ovimbundos das montanhas centrais de Angola – significa guerreiro.

O continente africano tem povoado meus dias... pelo significado profundo de seu conceito de centro do mundo... por conta do mapa mundi mais popularizado que temos conhecimento, o continente europeu é o centro superior, o continente africano está no centro, porém, abaixo da Europa... e isto está no imaginário de todos nós... nas entrelinhas, é que a tudo acontece - fazendo um trocadilho com o nome do programa mencionado que infelizmente recentemente nos deixou...
Mas África como centro do mundo, não no sentido geográfico (sem desmerecer a geografia moderna, que sem querer nos fez este favor de África no centro)... quero pensar neste continente como o lugar do primeiro ser humano... das primeiras experiências em ciência... técnicas de sobrevivência, gênese do que o mundo e o homem são hj...
Na gana de querer ver o mundo mais naturalizado, tenho uma utopia (EXPLICANDO: u-prefixo de negação/topia-lugar: algo que ainda não tem o seu lugar no mundo e não impossibilidades, como esta palavra costuma ser usada)... quebrar tabús... e este tabú sobre África é um dos maiores em mim...

Digressão a parte, os estudiosos de África (de longe ou de perto) me fazem companhia, e acho que esta veio (e não é de agora) pra ficar...
Eis que sou levada de volta a literatura por Ondjaki... suas palavras dançam, brincam, enqto fala de coisa séria, como o significado de ser angolano e de sua infância (coisa séria para mim)...
Há alguns dias li algumas frases, que compõe uma "estorinha" (como ele falou pra mim, de forma virtual – não, eu não encontrei com ele pessoalmente) dele e fiquei totalmente identificada, extasiada... a explicação disso??? não sei se sei, e nem sei se um dia vou saber... eis as frases em 12 partes, como ele as registrou...

(1) - a mulher que só sonhava de manhã, acordava sempre muito cedo. tinha medo, era óbvio. -
(2) a mulher que só sonhava de manhã não passou bem a noite e viu-se exausta. adormeceu eram 6:37am. e começou a sonhar...
(3) a mulher que só sonhava de manhã não se permitia sonhar há 19 dias y 500 noites. quando o fez, inundou o quarto de lágrimas.
(4) a mulher que só sonhava de manhã foi encontrada - na sua cama molhada - por uma mulher que sonhava todos os dias. a qualquer hora.
(5) a mulher q sonhava a qualquer hora, todos os dias, não resistiu e provou o sal da mulher que só sonhava de manhã. um gesto imprudente...
(6) a mulher que só sonhava de manhã, ao frequentar o seu pesado sonho, viu as circunstâncias da sua morte. e abandonou o acto de falar.
(7) a mulher q sonhava todos os dias deitou-se na cama, no sonho da outra mulher. mas não sabia espreitar sonhos. sentiu-se triste.
(8) a mulher q só sonhava de manhã, agora silenciosa por opção ou deslumbramento, reorganizou o seu sono para acordar muito cedo. sempre.
(9) a mulher q sonhava todos os dias, passou o resto dos seus dias a tentar espreitar o sonho de outras mulheres. um dia antes de morrer...
(10) um dia antes de morrer,a mulher q tentava espreitar o sonho de outras, espreitou um momento onde era ela a sonhada. a grande despedida.
(11) à mulher q só sonhava de manhã, bastou-lhe um sonho para entender os mistérios femininos. sorriu: porque já os havia pressentido antes.
(12) a mulher que só sonhava de manhã foi encontrada - num sonho - por uma mulher que sonhava todos os dias... | ( - fim - )

sábado, 16 de junho de 2012

sobre escutar-se...


“Hanami, Cerejeiras Em Flor”
(Alemanha/Japão)


Filme que traduz o silêncio... escutar a própria voz... então um alerta... pra quem precisa de barulho (rádio/TV) o tempo todo... este filme pode causar dormência ou outra doença aguda...
Hanami, é um ritual feito pelos japoneses: contemplar nos parques, numa determinada época do ano, a florada desta árvore, a cerejeira... mas a história não se passa num parque e nem é a filmagem deste momento... retrata a vida de um casal que depois de anos juntos estão postos numa situação de se ouvirem... coisa que pouco fazemos na vida... por isso encantou... o filme é longo e sutil... e tem em seu longo final a presença de uma dança moderna japonesa... o Butô... que fala em seus belos movimentos, sobre a comunicação entre dois mundos...

para ver a sinopse e o trailer dublado em inglês clique aqui