terça-feira, 30 de novembro de 2010

perguntas recorrentes... Luiz Eduardo Soares...

testede.com.br
Luiz Eduardo Soares (cientista político) analisa que não teria nada de novo para falar sobre a crise atual no Rio de Janeiro – nada que já não tenha dito – e por isso não tem atendido a pedidos de entrevistas para falar sobre o caso. Mas em seu blog, fala sobre algumas questões que a mídia tem levantado para esclarecer sua ausência.
Para quem se interessar em lê-la por completo:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/luiz-eduardo-soares-a-crise-no-rio-e-o-pastiche-midiatico.html

Diz ...  “não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises. Na crise, as perguntas recorrentes são: (a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a explosão de violência? (b) O que a polícia deveria fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas? (c) Por que o governo não chama o Exército? (d) A imagem internacional do Rio foi maculada? (e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?”

 (a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a violência e resolver o desafio da insegurança?
Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Quando se está na crise, usam-se os instrumentos disponíveis e os procedimentos conhecidos para conter os sintomas e salvar o paciente. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI, tomado por uma enfermidade letal, apresentando um quadro agudo. Nessa hora, parte-se para medidas extremas, de desespero, mobilizando-se o canivete e o açougueiro, sem anestesia e assepsia. Nessa hora, o cardiologista abre o tórax do moribundo na maca, no corredor. Não há como construir um novo hospital, decente, eficiente, nem para formar especialistas, nem para prevenir epidemias, nem para adotar procedimentos que evitem o agravamento da patologia.  Por isso, o primeiro passo para evitar que a situação se repita é trocar a pergunta. O foco capaz de ajudar a mudar a realidade é aquele apontado por outra pergunta: o que fazer para aperfeiçoar a segurança pública, no Rio e no Brasil, evitando a violência de todos os dias, assim como sua intensificação, expressa nas sucessivas crises?
Se o entrevistador imaginário interpelar o respondente, afirmando que a sociedade exige uma resposta imediata, precisa de uma ação emergencial e não aceita nenhuma abordagem que não produza efeitos práticos imediatos, a melhor resposta seria: caro amigo, sua atitude representa, exatamente, a postura que tem impedido avanços consistentes na segurança pública. Se a sociedade, a mídia e os governos continuarem se recusando a pensar e abordar o problema em profundidade e extensão, como um fenômeno multidimensional a requerer enfrentamento sistêmico, ou seja, se prosseguirmos nos recusando, enquanto Nação, a tratar do problema na perspectiva do médio e do longo prazos, nos condenaremos às crises, cada vez mais dramáticas, para as quais não há soluções mágicas.
A melhor resposta à emergência é começar a se movimentar na direção da reconstrução das condições geradoras da situação emergencial. Quanto ao imediato, não há espaço para nada senão o disponível, acessível, conhecido, que se aplica com maior ou menor destreza, reduzindo-se danos e prolongando-se a vida em risco.
A pergunta é obtusa e obscurantista, cúmplice da ignorância e da apatia.
(b) O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?
Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos “arregos” celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente.
Ou seja, a polaridade referida na pergunta (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la –- isto é, separar bandido e polícia; distinguir crime e polícia — teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes. E só por isso que ainda existe tráfico armado, assim como as milícias.
Não digo isso para ofender os policiais ou as instituições. Não generalizo. Pelo contrário, sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam, estóica e heroicamente, suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha, os humilha, os ameaça e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.
O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.
 (c) O Exército deveria participar?
Fazendo o trabalho policial, não, pois não existe para isso, não é treinado para isso, nem está equipado para isso. Mas deve, sim, participar. A começar cumprindo sua função de controlar os fluxos das armas no país. Isso resolveria o maior dos problemas: as armas ilegais passando, tranquilamente, de mão em mão, com as benções, a mediação e o estímulo da banda podre das polícias.
E não só o Exército. Também a Marinha, formando uma Guarda Costeira com foco no controle de armas transportadas como cargas clandestinas ou despejadas na baía e nos portos. Assim como a Aeronáutica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controlando o espaço aéreo e apoiando a PF na fiscalização das cargas nos aeroportos.
(d) A imagem internacional do Rio foi maculada?
Claro. Mais uma vez.
(e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?
Sem dúvida. Somos ótimos em eventos. Nesses momentos, aparece dinheiro, surge o “espírito cooperativo”, ações racionais e planejadas impõem-se. Nosso calcanhar de Aquiles é a rotina. Copa e Olimpíadas serão um sucesso. O problema é o dia a dia.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

RICKY SHAYNE - "Mamy Blue"

Mamy Blue foi gravado por muitas pessoas... mas esta gravação com

Ricky Shayne considero ótima... na verdade todas são...

sábado, 20 de novembro de 2010

alteridade!!!

Chimamanda Adichie
Imagens Google


Chimamanda Adichie, uma escritora nigeriana, fala neste vídeo sobre os perigos de se contar apenas uma história, e não ampliarmos nossa visão para tudo o que existe... está dividido em duas partes...

primeira parte...

segunda parte...

Com belíssima fala de Chimamanda, podemos fazer uma reflexão partindo da realidade dos educadores brasileiros, e lembrarmos, que nós aprendemos e transmitimos (prefiro trocamos) os saberes que estudamos em nossa formação a partir do ponto de vista do continente europeu onde privilegia-se o modo de produção... a Grécia Antiga foi a referência, sempre que pensamos no cerne do conhecimento: Hipócrates na Medicina; Pitágoras na Matemática; Heródoto na História; e tantos outros, há 4 ou 5 séculos antes de Cristo.
Na verdade, em pesquisas mais 'recentes', verificou-se que a grande maioria do conhecimento científico e filosófico da Grécia teve origem no Egito (continente africano).
Vamos pensar no exemplo de Imhotep, médico, arquiteto, engenheiro que há mais de 3 mil anos antes de Cristo, já praticava todas as técnicas básicas da medicina em função da mumificação, que exigia o conhecimento do funcionamento do corpo humano.
Representação em bronze de Imhotep
Coleção do Conde Caylus (1692 – 1765)
Este também arquitetou a primeira pirâmide do Egito (Sacara).
Existem outros exemplos nas regiões que hoje conhecemos como Uganda, Mali, Sudão, Quênia (cesarianas, catarata, tumores, na medicina; astronomia, navegação, metalurgia)
Então uma outra proposta que faço é a reflexão do 20 de novembro para nós educadores, sobre o perigo de uma única história... ampliemos nossa visão de mundo para entendermos que somos UM  e somos TODOS... Europa, África, América.........................................................

minha fala girou em torno disso hj, nosso 20 de novembro de 2010... não foram 'pérolas aos porcos'... e parti para outros espaços.................


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

somos um... somos todos...

Google Imagens

dois acontecimentos dos próximos dias na região onde vivo há quase um ano, colocou-me para refletir ainda mais sobre uma questão que sempre povoou meu imaginário... seja pela profissão de educadora, seja pela história de vida, pelo nosso imenso país...
posto aqui dois links sobre as programações que se interpõe e se completam...



nestes dois links temos dois acontecimentos importantes... 
a festa de comemoração de 118 anos de imigração tirolesa ( imigrantes da região histórica da parte ocidental da Europa Central, que inclui na Áustria, o estado do Tirol e na Itália a província italiana de Bolzano), bairro de Santa Olímpia em Piracicaba/SP, fundado em 20 de novembro de 1892... 
e no outro link, dia de reflexão sobre à 'inserção' do povo do continente africano no Brasil... como aconteceu este processo... e na outra via, como aconteceram as várias formas de resistência, que acabou contribuindo muito para a formação de nossa complexa/rica sociedade...

proponho então que embarquemos nesta reflexão!!!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

tirania da Informação!!!


Diante de tantos e-mails recebidos provando sempre por A+B que Dilma e Serra são Deus e o Diabo (qtas informações, sempre muito bem embasadas), lendo Milton Santos (entre outros), pensei em reproduzir sua fala/escrita, que para mim explicam muito bem todo esse cenário... existe uma corrida entre as melhores e mais impactantes imagens e informações... eis a fotografia...
"...dupla tirania... dinheiro e informação... intimamente relacionadas. Ambas juntas, fornecem a base do sistema ideológico que legitima as ações mais características da época e, ao mesmo tempo, buscam conformar segundo um novo ethos as relações sociais e interpessoais, influenciando o caráter das pessoas.
...papel verdadeiramente despótico da informação... as novas condições técnicas deveriam permitir a ampliação do conhecimento do planeta, dos objetos que o formam, das sociedades que o habitam...todavia nas condições atuais, as técnicas da informação são principalmente utilizadas por um punhado de atores em função dos objetivos particulares... aprofundando assim os processos de criação de desigualdades. É desse modo que a periferia do sistema capitalista acaba se tornando cada vez mais periférica, seja porque não dispõe totalmente dos novos meios de produção, seja porque lhe escapa a possibilidade de controle.
O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada, que em lugar de esclarecer, confunde (e) nas condições atuais da vida... a informação constitui um dado essencial e imprescindível. Mas na medida que o que chega as pessoas... já é o resultado de uma manipulação, tal informação se apresenta com ideologia".
 
Texto do Milton Santos pertinente ao momento que vivemos no Brasil nestes últimos meses... afinal, essa invasão do nada, é feita principalmente pela mídia, que não nos esclarece, confunde isto sim... é muito fácil identificar discursos iguais entre oposição e situação... infelizmente a escolha será entre iguais... que vença o melhor markenting!!!
 Não!!! Realmente não é isso que desejo... sonho com outra lógica, persigo outro modo de estar no mundo... por isso que ainda procuro encantamentos... não pelos mitos do mundo pós-moderno, que nos remetem ao provisório......................
 Diante deste quadro, temos que escolher qual é o melhor neoliberalismo. Como educadora/pesquisadora já fiz minha análise. Levei em conta minha bagagem de estudos, leituras atuais, investigações na internet, mas principalmente em campo (na escola), e concluo - com alguma esperança - que desejo que meus alunos tenham o mínimo necessário (alimento na mesa, acesso a alguma informação, e, neste caso a internet vem se mostrando com maior possibilidade de seleção destas), para uma possível abertura a questionamentos e crítica sobre o mundo que se apresenta a eles, e quem sabe pensar na possibilidade de transformá-lo... sei que na esfera estadual o neoliberalismo (com o modelo de educação espanhol, mal aplicado... leia-se Progressão Continuada), tudo continuará o mesmo... que isto não se estenda a instância federal............. assim seja..............

domingo, 10 de outubro de 2010

140 caractéres........ ler de baixo pra cima.........

  • a disputa é: qual é o melhor neoliberalismo...  
  • e-mails recebidos... decidam-se: o barbudo é Hitler ou comunista??? façam-me o favor de elaborarem melhores argumentos...  
  • na verdade este é o neoliberalismo em sua melhor forma...
  • nos dois planos de governo está a promessa da melhoria do poder de compra...
  • o qto vc pode comprar???
  • lá aonde??? onde pode nos levar o poder de compra... ou o não poder de compra???
  • estamos vivendo tempos de pseudo liberdade... e com isso o engano de que tendo espírito de luta chegamos lá... lá aonde???
  • acho que argumentamos/lutamos melhor qdo a sensação de cerceamento é clara...
  • ñ dá para defender veementemente nenhum dos lados... todos os argumentos lidos/ouvidos até agora ñ vão no cerne da questão...
  • uma lei injusta não é lei nenhuma... sto agostinho...
  • Liu Xiaobo... nobel da paz 2010...
  • Num governo que prende injustamente qualquer pessoa, o verdadeiro lugar para um homem justo é a prisão... Thoreau
  • a crise é estrutural!!! qdo se buscam soluções não estruturais, o resultado é a geração de mais crise... Milton Santos
  • o que sustenta esta estrutura??? é isso que está em jogo...
  • em razão do desinteresse popular pelas ideologias dos partidos, os mesmos converteram-se em meros instrumentos para a conquista do poder, uma vez que a atuação de seus membros não condiz com os enunciados nos programas partidários...
  • política é a arte de ajudar o público a não tratar dos assuntos que lhe interessam... Winston Churchill definindo a própria política...
  • Ao assumir esse atalho, simplesmente abdicou de disputar projetos políticos e reduziu sua ação a repetir a cantilena de que as instituições democráticas estão em risco... de quem estamos falando???
  • o que eu sei é: alunos de barriga cheia pensam melhor... 'a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte'...
10-10-10
     

    domingo, 26 de setembro de 2010

    Yael Naïm - New Soul

    numa entrevista a TV Sesc, Yael Naim, cantora e compositora franco-israelense rara, sutil..., disse que a composição de 'New Soul', sua música mais conhecida, partiu de uma reflexão sobre ter sempre se sentido uma alma antiga neste planeta... mas de repente começou a ter uma sensação de estranhamento e beleza com a vida... e percebeu sua 'arrogância'... numa forma suave de falar, voz mansa, olhar brilhante e de encantamento, apresentava seu companheiro de música/arte, David Donatien, a quem referendava como essencial para esta nova visão...
    podemos fazer uma imagem do que seria esta reflexão... mas a história construída neste vídeo, é realmente uma síntese desta reflexão/composição......... fique atento(a) aos detalhes...

    clique aqui para ver o clipe
    ou...


    domingo, 19 de setembro de 2010

    novamente...

    uma frase nos Cadernos de Saramago faz sentido, talvez em algum lugar no tempo/espaço...
    "A participação política deu-me algo muito importante, um sentimento solidário muito forte, a consciência de participar numa luta pela humanidade, com todas as sombras históricas que essa luta teve."

    neste instante somos invadidos pelo que vimos na 'História Sem Fim': O MONSTRO DO NADA... filme altamente recomendável... assistir com olhos de quem está numa permanente luta com o blasé no início do século 21... outrora, o prazer nascia de algo que vinha em direção contrária... em nossos dias "tudo é permitido"... questionemos TANTA permissividade... daí a nostalgia, do vivido (e do não-vivido)... algo nunca imaginado para o futuro, mas ele (o futuro) chegou, e em seu ventre, trouxe ela: a nostalgia... fazer parte de algo sólido, encontrar indivíduos com semelhantes desejos... o tempo flui... o tempo me passeia... o tempo salta.............. como diz o Ney (Matogrosso)...

    quarta-feira, 8 de setembro de 2010

    somos o que falaram pra sermos...

    creio na harmonia entre as forças... houve um tempo em que não havia dicotomias, reinavam impulsos que não pendiam nem para cá, nem para lá... creio no retorno deste tempo... 
    então a busca, o caminhar se torna único, diferente do que se pode esperar... aí temos outra vez: VERDADE É SUBJETIVIDADE!!! insisto neste tema, porque vivemos num mundo das imposições, da democracia... quem pensa de outro modo, que não é o da maioria, vive subjudado... isso é uma forma de TOTALITARISMO...
    não queremos pensar como a maioria, não queremos viver como a maioria, não queremos acreditar em hierarquias... queremos ser unos (e não individualistas)... acredito nas diferenças como forma de demonstrar as semelhanças... EQUIDADE: iguais nas diferenças... este é o tom harmônico que deveríamos buscar...

    terça-feira, 7 de setembro de 2010

    meus ídolos não acreditam em Deus...

    tá chovendo nas montanhas depois de alguns poucos meses... e com a chuva veio um vento gelado - aquele que gosto tanto... qdo a chuva estava por vir lembrei do sonho que tive esta noite e pensei sobre Saramago, sobre ele não acreditar em Deus... aí lembrei de tantos outros autores que gosto, e percebi que eles tem isto em comum: não acreditar em Deus... mas a fala não é igual... tb não acredito, e isso me deu um pouquinho de medo... minha fala tb não é igual a deles... ando pensando nisso pq sei que a sensação de eternidade já faz parte da vida... tem um momento em nosso caminho (aliás vários) que somos algum herói ou até mesmo um deus, e que apesar das confusões que somos (aos 20) o tempo é algo que nunca tem fim... hj tenho a sensação da finitude e com ela vem a vontade de apronfundar o momento...
    então... qdo acreditava em Deus, tudo podia... me arriscava em viver não vivendo... agora, como não tenho a sensação do perdão eterno, quero viver verdades profundas, e a verdade não tem mais aquela conotação de ser absoluta... verdade é subjetividade...
    porque agora a explicação é quântica quero ter a sensação de re-encontros...